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admin
25 de junho de 2026

O desperdício de água tratada continua sendo um dos maiores desafios para o saneamento básico no Brasil. De acordo com levantamento do Instituto Trata Brasil, elaborado com base nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), referentes a 2024, cerca de 39,53% da água tratada produzida no país é perdida antes de chegar às torneiras da população.
Essas perdas ocorrem por diferentes fatores, como vazamentos nas redes de distribuição, falhas na medição do consumo, ligações clandestinas e usos não autorizados. Além de representar um enorme desperdício de um recurso essencial, essa ineficiência aumenta os custos operacionais dos sistemas de abastecimento e compromete a sustentabilidade dos serviços de saneamento.
A dimensão do problema impressiona. Segundo o estudo, o volume de água perdido diariamente seria suficiente para encher aproximadamente 4,8 mil piscinas olímpicas. Ao longo de um ano, o desperdício equivale a cerca de 4,5 vezes a capacidade total do Sistema Cantareira, um dos mais importantes complexos de abastecimento hídrico do Brasil.
Os maiores índices de perdas estão concentrados nas regiões Norte e Nordeste. Entre os estados com os piores resultados destacam-se Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%), todos muito acima da média nacional.
Esses números reforçam a necessidade de investimentos permanentes em modernização das redes de distribuição, substituição de tubulações antigas, tecnologias de monitoramento, combate a fraudes e programas de redução de perdas, medidas essenciais para aumentar a eficiência operacional dos sistemas de abastecimento.
Em contraste com esse cenário, o Piauí tornou-se o primeiro estado brasileiro a atingir a meta definida pela Portaria nº 788/2024, registrando índice de perdas de 24,61%. Na sequência aparece Goiás, com 27,13%, aproximando-se do percentual estabelecido pela regulamentação federal.
A Portaria nº 788/2024 determina que o Brasil reduza as perdas na distribuição de água para 25% até 2033, uma meta que exigirá esforços coordenados entre concessionárias, gestores públicos, agências reguladoras e investimentos contínuos em infraestrutura.
Especialistas destacam que reduzir as perdas de água é uma das estratégias mais eficientes para fortalecer a segurança hídrica, diminuir custos operacionais e ampliar a oferta de água para a população, sem a necessidade imediata de novas captações ou grandes obras de expansão dos sistemas.
Com o objetivo de ampliar o debate sobre o tema, o Instituto Trata Brasil lançou a iniciativa “Voto no Saneamento”, que reúne informações técnicas, conteúdos educativos e propostas para incentivar a inclusão do saneamento básico nas políticas públicas e nos planos de governo.
O combate ao desperdício de água tratada será decisivo para que o Brasil avance rumo à universalização do saneamento, tornando os sistemas de abastecimento mais eficientes, sustentáveis e capazes de atender às necessidades da população nas próximas décadas.
